Uma filha reflete sobre crescer ao lado do diagnóstico de doença de Crohn da sua mãe: dos receios iniciais a um forte sentimento de normalidade e resiliência
"Quando a minha mãe recebeu o diagnóstico, lembro-me de que a doença estava presente em todas as conversas e em todos os encontros familiares durante quatro a cinco anos. Depois disso, à medida que fui crescendo, continuou sempre presente nos nossos pensamentos, mas eu tinha-me habituado. Já não reparava nas dificuldades do dia a dia porque a doença tinha passado a fazer parte do nosso estilo de vida e aprendemos a viver com ela."
Share this Interview Durante a sua infância e adolescência, quão presente estava a doença de Crohn na vida quotidiana da sua família e como mudou a sua compreensão da doença à medida que crescia?
Quando a minha mãe recebeu o diagnóstico, lembro-me de que a doença estava presente em todas as conversas e em todos os encontros familiares durante quatro a cinco anos. Depois disso, à medida que fui crescendo, continuou sempre presente nos nossos pensamentos, mas eu tinha-me habituado.
Como filha, o que significava, na prática, “apoiar a sua mãe”?
Diria que significava tudo. Desde acompanhá-la ao hospital durante as crises da doença até apoiá-la na concretização dos seus sonhos e passatempos.
A doença de Crohn pode trazer incerteza, mas as famílias adaptam-se frequentemente de formas surpreendentes.
Penso que sempre fomos uma família normal, exceto pelo facto de a minha mãe ter doença de Crohn.
O que mais admira na forma como a sua mãe lidou com a doença?
Penso que, quando recebeu o diagnóstico, ela se tornou ainda mais destemida. Adotou a perspetiva de que só temos uma vida e queria aproveitar cada momento.
Na sua opinião, o que ajudou a sua mãe a continuar a viver uma vida plena e saudável apesar da doença de Crohn?
Penso que ela própria se ajudou. Sempre teve uma personalidade muito forte.
Sabendo o que sabe hoje, de que forma uma melhor compreensão, monitorização ou investigação mais precoce poderia ter feito a diferença?
Teria feito uma enorme diferença se tivéssemos prestado mais atenção a nós próprios e às pessoas que amamos.
Que mensagem gostaria de transmitir a outras filhas ou familiares?
Não é o fim do mundo. Continua a ter a sua família e a sua vida.